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Tratamento de água cinza para reuso não potável

Resumo

Para evitar ou diminuir o déficit hídrico é importante usar a água de forma racional, controlar as perdas e o desperdício, além de fazer o reuso da água. O reuso pode ser considerado como o aproveitamento da água que foi previamente utilizada uma ou mais vezes, sendo ou não tratada. O objetivo deste trabalho é apresentar um sistema de tratamento de água cinza, composta apenas com o efluente da pia da cozinha, tendo em vista o reuso doméstico não potável. O sistema desenvolvido é composto de uma caixa de gordura, um dosador de polímero, um floculador, um decantador, um filtro duplo descendente e um reservatório para a água tratada. Ele foi testado com uma água sintética formulada para simular a água da pia da cozinha que era reservada e bombeada para a caixa de gordura. As análises realizadas mostraram o sistema é uma opção útil para tratamento do efluente da pia da cozinha, particularmente para pequena escala. As reduções de turbidez, cor e DQO ficaram em 99,7%, 99,6% e 90,7%, respectivamente. A pesquisa indica que este tratamento pode produzir água tratada em conformidade com os padrões de reutilização NBR 13969/97 e ANA (2005), alcançando o objetivo proposto.

Introdução

A água possui um valor inestimável para o homem, afinal é o elemento que o mantém vivo. A quantidade total de água na terra é de aproximadamente um bilhão e 386 milhões de km3 (REBOUÇAS apud TELLES e GUIMARÃES COSTA, 2010, pág. 2). Apesar de sua abundância na natureza é estimado que 95% seja de água salgada, 5% de água doce – sendo a maior parte sob a forma de gelo, e apenas 0,3% diretamente aproveitável, cuja predominância é da água subterrânea (RITCHER, AZEVEDO NETTO, 1991).

Um fato a ser considerado é que a disponibilidade de água doce é variável no tempo e no espaço, o que resulta em uma distribuição não uniforme em todo o planeta (MENDES, 2015), portanto também no Brasil. Historicamente a região brasileira que mais sofre com a escassez de água é o Nordeste, por seu clima semiárido, mas o mapa da seca está mudando no país.

Sabe-se que a região metropolitana de São Paulo cresce continuamente o que gera grande impacto nos seus recursos, já que a densidade demográfica está além do limite da sua capacidade hídrica (TELLES e GUIMARÃES COSTA, 2010, pág.14). A diminuição das chuvas; a má fiscalização das condições de uso da água e do solo; a ineficácia do planejamento realizado pelos órgãos do governo e o não gerenciamento dos recursos são fatores que implicam na atual falta de água.

A falta de saneamento básico causa consequências graves como a poluição e a degradação dos mananciais, pois a ausência de coleta e tratamento adequado do esgoto que retornará aos rios contribui para esse cenário. Esses dados alertam que é imperativo submeter a água a algum tratamento para que seja possível eliminar impurezas indesejáveis e nocivas, como vírus, bactérias, parasitas, substâncias tóxicas entre outros. E essa necessidade não se limita apenas a água potável, mas também para as que serão utilizadas em outros fins que não o consumo humano.

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